12 de Maio de 2009 – 4 semanas e 2 dias
No fim-de-semana anterior comecei a ficar muito ansiosa. Ainda pensei em ir comprar o teste, mas o João disse para esperarmos até fazer 1 semana de atraso. Assim foi. Não sei como é que aguentei!
As idas à casa de banho são de alguma tensão. Sempre a desejar que o amigo “Mr.Red” (como eu lhe chamo) não tenha aparecido de surpresa. Ainda por cima senti todas as habituais da menstruação, mesmo como se fosse aparecer a qualquer momento.
No dia 11 lá fui eu toda lampeira à Farmácia do Fonte Nova para comprar o teste. Mesmo tendo 33 anos, sendo casada, tendo uma situação amorosa estável, sendo saudável, e este bebé ser desejado, fiquei um bocado envergonhada com esta compra. E eu gosto de ir às compras! Como nunca comprei nenhum nem sabia como pedir. Mas lá consegui. E depois não resisti e perguntei como é que se fazia. A resposta é sempre cautelosa, numa primeira abordagem. Pelo menos até perceberem que se o bebé é desejado ou não. Depois é que a minha irmã farmacêutica é que me explicou que este é um procedimento habitual, para não se ferirem susceptibilidades.
Como ela me explicou que era mais aconselhável fazer de manhã, assim fiz. É claro que nessa noite não dormi nada de jeito. É impossível. É emoção demais. Queremos muito que seja verdade mas também não queremos ficar tristes nem desiludidos se o resultado for negativo. Enfim.
De manhã lá me levantei ao mesmo tempo do papá, para vermos o resultado em conjunto. Devem ser os três minutos mais longos da vida. Já tinha lido as instruções no dia anterior mas mesmo assim li outra vez e o João também para termos a certeza absoluta que estávamos mesmo a fazer tudo bem. Aliás, como sempre!

O resultado foi positivo!
O João ainda perguntou 2 ou 3 vezes se eu tinha mesmo a certeza. Contrariamente ao que era esperado não houve uma grande explosão de alegria. Eu fiquei quase sem reacção. Como se já tivesse a certeza absoluta e esta tivesse sido apenas a confirmação final. O João foi muito prudente, e alertou-me para o perigo de ser ainda muito prematuro ficarmos já muito entusiasmados com a notícia, contarmos a toda a gente e deitarmos já o fogo-de-artifício. Foi uma decisão muito consciente e madura, ou seja, completamente contrária à minha, porque me apeteceu logo ir a correr para a janela e gritar a toda a gente que passava, que estava grávida. Mas lá me controlei. A muito custo mas lá me controlei.
Ao mesmo tempo continuava num estado de apatia meio estranho. Por um lado sentia-me radiante mas por outro fui completamente assolada por um medo aterrador. E agora? O que é que vai acontecer comigo? E com o meu corpo? Será que vou ser capaz? Oh, pá. Isto agora é mesmo a sério. Estou mesmo grávida! Meeeddddoooooo!!!!!!!!!!!
A primeira coisa que fiz foi ligar para o médico para marcar consulta. Esta coisa do teste é muito gira mas quem é que nos garante que aquela geringonça funciona mesmo e que não deu um resultado errado? Não deixa de ser uma tira de feltro com dois riscos vermelhos…
Do outro lado da linha é claro que recebi uma resposta logo também muito racionalzinha: “Ah, isso ainda é muito cedo. Não se vai ver nada. Vamos marcar só daqui a duas semanas. Antes não vale a pena. Se entretanto houver alguma alteração ou se sentir mal, então ligue.”. Ok, tudo bem. Lá tive que aceitar. Mas a muito custo. Como é que eu vou aguentar duas semanas sem saber se estou mesmo grávida de verdade? Mais uma espera infindável.

(O embrião microscópico já está a trabalhar arduamente nesta semana criando a placenta, cordão umbilical e as bases do seu corpo.)